URUGUAI, ARGENTINA E CHILE - PARTE III

De Mendoza a Santiago, seriam 385 km percorridos. Como não sabíamos o que nos aguardava na travessia da Cordilheira, saímos cedo. Nos primeiros quilômetros já conseguíamos avistar os picos nevados (mesmo no verão), e a imponência dos Andes no horizonte.

Seguimos pela Ruta 7 e a primeira parada foi a aproximadamente 65 Km do centro de Mendoza, na barragem de Potrerillos. Ao avistar a água, é só pegar um pequeno desvio para chegar até ela. A barragem foi construída entre 1999 e 2003 e além de produzir energia abastece as cidades da região de Mendoza. O interessante é que na formação do lago, uma estrada asfaltada ficou submersa e quando se chega perto, como a água é limpa e cristalina, pode-se ver essa estrada sendo encoberta pela água.

Depois da barragem, a Ruta 7 segue bordeando o Rio Mendoza, e nas águas turbulentas, de tempo em tempo avista-se um bote com praticantes de rafting.

A aproximadamente 120 Km de Mendoza, a estrada cruza a cidadezinha de Uspallata, usada como base por muitos aventureiros para os roteiros cordilleranos do entorno.

Abastecemos por lá e aproveitamos para fazer um lanche (o tradicional pan, jamón y queso) num posto YPF na beira da estrada. Lá encontramos um brasileiro que fazia o caminho de volta. Infelizmente, em nossos registros, não consta o nome do parceiro...

Seguindo na estrada, logo à frente cruzamos por uma carreta que vinha fazendo rastro de fumaça: as lonas de freio estavam pegando fogo. Dá pra entender porque a estrada tem tantos pontos de escape de emergência...

A 60km de Uspallata, chegamos à Puente del Inca. Mística e misteriosa, é uma formação rochosa natural. Lá funcionou inclusive um hotel, no início do século passado, que foi abandonado com o tempo, e foi o responsável pela pequena construção encrustada na rocha que guarda piscinas com água considerada terapêutica. O amarelo da paisagem se dá pela grande concentração de enxofre e minerais da água. Esses minerais são responsáveis pela petrificação de objetos quando deixados por cerca de 20 dias mergulhados nessa água. Você encontra coisas inusitadas tipo, chinelos, botinas, chupetas.... tudo em um tom amarronzado e endurecido. O povoado ao redor tem cerca de 200 habitantes e se beneficia do turismo vendendo esses objetos.

Seguindo por mais 2 Km, chegamos à entrada do Parque Provincial Aconcágua, de onde se avista o Monte Aconcágua, que com 6.960 metros de altitude é o topo das Américas.

Depois do Aconcágua, logo adiante, ainda pela Ruta 7, chegamos à Imigração.

Um pouco de fila, câmbio de pesos argentinos para pesos chilenos e inspeção minuciosa em busca de produtos de origem animal e vegetal...liberados para seguir viagem, cerca de 1 hora depois.

Logo depois da fronteira, dá pra optar entre subir uma montanha e, por estrada de chão batido, ir até o Cristo lá no alto...ou pegar um longo túnel cruzando por baixo do cerro. Preferimos o asfalto...

A vista na saída do túnel é demais: Portillo, hotel que dá nome à famosa estação de esqui, com o lago ao fundo. Convenhamos, se hospedar com essa vista deve deve ser espetacular. No inverno as montanhas ficam branquinhas, totalmente nevadas e a paisagem fica ainda mais encantadora. Como passamos no verão, não tinha muita neve, mas a cor esverdeada do lago tornou a paisagem inesquecível.

Recuperado o fôlego, seguimos alguns poucos quilômetros pela estrada, até chegar aos famosos Los Caracoles, sequência de curvas que desce serpenteando a montanha.

Na primeira parada à beira da estrada para fotografar, notamos que o cartão de memória da câmera estava lotado. Ok...vamos buscar o cartão reserva que está junto com os demais eletrônicos.

E aí, o SUSTO!!! CADÊ A MALETA???

Lembra que no post anterior falamos que o Hotel Castelmonte ficaria marcado em nossas vidas? Pois bem...ficaria marcado pois foi lá que esquecemos a maleta com nossos carregadores, cabos, cartões de memória e toda a parafernália eletrônica que tínhamos levado. O detalhe é que nem mesmo tínhamos certeza de que realmente era lá que tinha ficado a maleta...e não tínhamos deixado contato nenhum no hotel.

Sensação de desespero e primeiro teste forte nas viagens aventureiras que faríamos. Principal lição aprendida: por maior que seja a angústia em resolver tudo logo, pense com calma e não desista de encontrar a solução.

Só conseguimos confirmar que a maleta realmente tinha ficado no hotel 2 dias depois, após inúmeras ligações internacionais (ainda bem que no Chile elas são mais baratas que no Brasil) e o contato direto com o gerente do hotel. Ao ver que a mala tinha itens de valor, ele mesmo tinha guardado e não tinha passado a informação aos funcionários. Ponto para a honestidade argentina...

Isso nos obrigou a 2 mudanças:

- Pensamos em comprar um novo carregador de bateria para a câmera. Ao invés disso...aproveitamos os preços camaradas em Santiago e compramos uma câmera nova, (uma Sony H7 Superzoom) com o mesmo tipo de bateria e carregador. Isso fez com que continuássemos podendo usar a câmera básica que tínhamos levado...e melhorou sensivelmente a qualidade das fotos desse ponto para a frente na viagem;

- E a maior mudança: Nossa volta era para ter sido pelo trajeto Bariloche - Bahia Blanca - Mar del Plata - Buenos Aires. Ao invés disso, rodamos 1200km num dia para ir de Bariloche a San Luis e 1000km no outro, de San Luis a Buenos Aires. Cruzamos o deserto do pampa ao invés de bordear o Atlântico.

No fim...tudo certo. Câmera nova, fotos legais e nada perdido...além da experiência, que fica pra sempre.

Consegue ver o caminhão lá embaixo? Não é de brinquedo.

Voltando a falar dos Caracoles...

Essa foi a última foto. Até Santiago seguimos pensativos e procurando soluções.

No próximo post, trecho chileno da viagem:

Santiago, Viña del Mar, Valparaíso, Concha y Toro, Pucón, Puerto Montt.

DICAS:

- Pelo amor de Deus, revise tudo antes de sair de um hotel!!!!! kkkk

- Nem o seguro Carta Verde, nem a apólice de seu carro valem em território chileno. Se quiser ter cobertura no Chile, contrate a cobertura de Extensão de Perímetro, essa sim, válida para toda a América do Sul não pertencente ao Mercosul. Para contratá-la, contate sua seguradora.

- Os oficiais de fronteira chilenos são cordiais e "gente-boa", mas rigorosíssimos com a aplicação da lei. Antes de partir para viagem nos trechos de fronteira, previamente descarte itens de origem animal e vegetal que estejam em embalagem não-lacrada. Cães treinados farejam cada canto do veículo em busca desses itens...

- Curta a viagem...o trecho é para ser percorrido bem devagar, parando muitas vezes para tirar fotos e admirar a paisagem...

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