O trecho de hoje é a saída do Peru, cruzando a fronteira para o Chile entre Tacna-PER e Arica-CHI.

A região é o início do Deserto de Atacama, e já foi palco da Guerra do Pacífico, entre 1879 e 1883. Na época, o que hoje é o norte do Chile pertencia ao Peru, e a Bolívia tinha saída para o mar, na região de Calama e Antofagasta. A disputa pelos abundantes recursos minerais da região acabou com a vitória chilena e o domínio da região, que até hoje é alvo de protestos bolivianos (pela saída soberana ao mar) e deixou marcas profundas nos países envolvidos.

Percorremos 410 quilômetros pela Ruta Panamericana, de Arequipa até a fronteira Peru-Chile. Tudo é muito seco, e o verde só existe nos vales formados pelas águas de degelo. Somente 2 paradas nesse caminho todo: barreira policial no vale de Chucarapi e barreira sanitária na Região de Moquegua.

Vale Chucarapi

Vale Chucarapi

Na segunda parada, a pergunta dos oficiais era sobre frutas e alimentos (a região é livre de pragas). Como ele falava meio enrolado e a gente não sabia direito como proceder e as consequências da conversa, o diálogo final foi algo como:

(Oficial) - ¿Tienen frutas?

(Lais) - ¿Hola?

(Oficial) - Frutas, F r u t a s.

(Lais) - ¿Hola? ¿Hola?

E assim passamos, com uma maçã mordida e um pedaço de pão numa sacola térmica. E o diálogo acima virou #piadainterna pelo resto da viagem.

Na fronteira, o papo é diferente. Os chilenos são muuuuuito rígidos com essa questão, e aí já sabíamos que teríamos que declarar e descartar os alimentos.

Nos despedindo do Peru e chegando ao Chile

Nos despedindo do Peru e chegando ao Chile

Antes que conseguíssemos fazer isso, ao parar na fronteira, deu tempo só de abrir a porta do porta-malas e tirar uma das malas, para que um Golden Retriever viesse correndo de 30m de distância, pulasse a 1m de altura se esgueirando no espaço deixado por essa mala, e chegasse ao banco traseiro do carro com o focinho apontado para a sacola térmica, como nos desenhos animados.... Que tal o faro do bichinho?

O chileno que cuidava do cão farejador ficou todo sem jeito por ele ter pulado pra dentro do carro e pediu 1.001 desculpas. No fim, virou nosso amigo e começou contar histórias, que ajudaram a passar o tempo na fronteira (o processo todo da migração levou quase 2 horas).

Foi através de uma dessas histórias que descobrimos que os extremos norte e sul do Chile tem características específicas de zonas francas, onde é possível importar inclusive carros usados. O carro do oficial era uma modesta Hummer americana!! O detalhe é que ele pagou menos pela Hummer que nós pagamos pela Pajerinho...mas tudo bem.

Como demorou, acabamos entrando em Arica já a noite, e era nítida a diferença de estrutura entre os 2 países: tudo muito limpo, iluminado, estruturado e sinalizado.

O Tiago estava mal do estômago/fígado desde Arequipa e chegou a Arica bem ruinzinho. Nem conseguimos andar pela cidade à noite e tratamos de conseguir no próprio hotel algum tipo de chá ou medicação que pudesse ajudar.

A parada em Arica, pelo nosso roteiro, também era só um ponto de partida para o dia seguinte, quando partimos para o vulcão mais bonito da América do Sul na nossa opinião: O Parinacota, na fronteira com a Bolívia, no alto dos Andes.

O vulcão fica a 150km de Arica, no Parque Nacional Lauca e é visita obrigatória pra quem passa pela região. Não tem muito o que dizer a respeito. Basta olhar as fotos do lugar pra babar um pouco...

Putre

Putre

Mirador de Putre

Mirador de Putre

Ruta 11 às margens do Lago Chungará

Ruta 11 às margens do Lago Chungará

Vulcão Parinacota à frente e Pomerape à esquerda

Vulcão Parinacota à frente e Pomerape à esquerda

No fim do dia, morro abaixo de volta até Arica, onde aproveitamos para uma passeadinha a pé pelo centrinho e a bela orla. É um lugar que esperamos retornar com mais tempo numa próxima viagem. A cidade é muito simpática e cheia de história.

No pôr do sol, partimos para Iquique, nossa próxima parada e tema do próximo post...

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